Postado em 04 de Dezembro às 11h05

“Números da Aids em Xaxim podem ser ainda maior do que o contabilizado”, diz enfermeira

Pouca procura da faixa-etária mais propensa ao vírus do HIV por exames preocupa vigilância epidemiológica de Xaxim

Xaxim - “Foi-se o tempo de que Aids era coisa de classe baixa e de pessoas malcuidadas. Hoje em dia não há cor, nem raça, o que há é muito descuido de toda a população”. A frase da enfermeira responsável pela vigilância epidemiológica de Xaxim, Elizete de Souza, resume a atual situação da Aids em Xaxim: Muitos casos – o aumento de 2017 a 2018 foi superior a 200% - sendo a maioria deles envolvendo pessoas de classe média, na faixa dos 35 e 65 anos. 

Recentemente mais casos foram descobertos após a realização das campanhas Novembro Azul e Outubro Rosa, que realizou testes de HIV junto aos exames de rotina. “O maior problema é que as pessoas que fazem estes exames de rotina, não pertencem à faixa-etária mais propensa à Aids, que é dos 15 aos 30 anos”, ressalta. “Os adolescentes e adultos até os trinta anos possuem uma vida sexual mais ativa, mais parceiros, ingerem mais bebida alcoólica, por vezes são tabagistas e usuários de drogas, fatores que aumentam a vulnerabilidade do organismo para adquirir o vírus do HIV”, explica Elizete que destaca que a Secretaria de Saúde estuda uma campanha para atingir este público mais jovem.

“Número real deve ser muito maior”
De acordo com a enfermeira, o número real de casos de Aids no município deve ser muito maior do que se tem cadastrado, mas infelizmente é difícil conscientizar a população mais jovem a fazer os exames. “Todos os meses novos casos de HIV são constatados em Xaxim. Os exames gratuitos, os chamados ‘testes rápidos’ são disponibilizados em todas as unidades de saúde do município, mas é muito difícil as pessoas se conscientizarem de que o problema é real, e irem ao posto para fazer o exame”, conta Elizete.

Dia internacional
O dia primeiro de dezembro foi o dia internacional de combate a Aids. A data serve para lembrar às pessoas de que esta doença silenciosa, que mata muito menos gente hoje do que há alguns anos atrás, continua sendo um grande problema para a saúde pública. “A Aids é uma doença que não tem cura, mas quanto mais cedo se começa o tratamento, maior é a possibilidade de a pessoa não ficar doente por causa do vírus do HIV”, ressalta a enfermeira. 

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