Postado em 01 de Março às 09h16

“SOS Cidades”Xanxerê: o que o povo cobra e a prefeitura diz sobre os gargalos da cidade

Um breve panorama dos problemas e obras paradas da cidade.


Por Joimara S.Camilotti
Xanxerê – Nesta edição você acompanha o primeiro boletim do “SOS Cidades”, um espaço democrático, com a participação da população, onde são apontadas questões pertinentes do dia a dia, que interferem na qualidade de vida dos moradores. A reclamação do leitor é levada a sério e sempre terá a participação dos órgãos envolvidos, para que se entendam os motivos pelos quais as obras públicas estão paradas ou os serviços não funcionam de forma adequada.

A primeira edição traz os destaques da sede da Associação dos Municípios do Alto Irani – Xanxerê. Nossa equipe ouviu os moradores, acompanhou os registros e obteve um retorno do poder público quanto às respostas tão esperadas pela população. Acompanhe.

GINÁSIO IVO SGUISSARDI
Desde 2015, quando foi destruído pelo tornado, a população espera e cobra das autoridades a reconstrução do local, inclusive porque na época a então presidente Dilma Rousseff liberou R$ 3 milhões para a construção de um novo ginásio. Desde então, se passaram quatro anos e a obra ainda não foi entregue para a comunidade.
Atualmente o que era um simples ginásio de esportes, se transformou em uma moderna arena esportiva, com placar eletrônico, arquibancadas e espaço para que a secretaria de Esportes possa atender no local, porém até o momento sem data para funcionar.

O que pensa a população
“Acompanhamos todos os dias o andar da obra. Desde quando começou, ai parou e agora que achamos que já estaria concluída, ainda não se tem uma data para a inauguração. Nossos atletas precisaram se deslocar para outros ginásios para treinar e estamos sem a referência do nosso bairro dos Esportes, que é o ginásio. Sem contar que com tantas ocorrências de alagamentos e possível retirada de famílias de locais de risco, não contamos com o ginásio pronto para abrigar essa gente”, diz um morador vizinho ao ginásio.

O que diz a prefeitura
Conforme a administração municipal a previsão é inaugurar o ginásio no mês de abril, já que as obras estão em fase final. Os trabalhos se concentram na colocação do passeio público.

ESCOLA PADRÃO
Conquistada com recursos do governo federal, ainda na administração de Bruno Bortoluzzi, as obras na escola localizada no Bairro Leandro, iria desafogar o ensino no colégio Paul Harris, com novas salas de aula, entre outros espaços. Foi iniciada com agilidade, porém a empresa que venceu a licitação acabou desistindo e a obra ficou por quase um ano parada. Hoje, os trabalhos já foram retomados, mas ainda falta muito para o espaço ficar concluído. 

O que pensa a população
“Quando a obra começou achamos que ia terminar antes do prazo, mas passou quase seis anos e até agora nada. Ainda que agora tem um cercado no local para impedir que vândalos fossem no local. O bairro precisa muito desta escola, vai fazer toda a diferença para nós”, disse uma moradora. 

O que diz a Prefeitura
Até o momento a administração não tem um prazo final para a entrega da obra que vai atender 800 alunos, pois o período de chuva acaba atrapalhando o cronograma dos trabalhos.

SANEAMENTO BÁSICO
Outra obra que a população não vê chegar ao fim. Anunciada como a obra mais cara do município, com recursos federais, conquistado ainda em meados de 2013. A primeira etapa foi iniciada, com grande agilidade, inclusive sendo vista como transtorno para o comércio, pois ruas precisaram ser fechadas para que a tubulação fosse passada. Assim que mudou a administração, as obras começaram a diminuir o ritmo, chegando ao ponto de passar mais de anos sem nenhuma movimentação. Agora, a empresa retomou os trabalhos que consistem na fase final da primeira etapa, que é a transposição que vai levar o esgoto da região central até a estação de tratamento, localizada na Linha Invernadinha.

O que pensa a população
“Houve momentos que achamos que iriamos terminar o ano já com a rede ligada e pagando para termos o tratamento de esgoto adequado, mas não foi o que vimos. Hoje só se sabe que os tubos estão debaixo da terra e que essa tal ligação com a estação parece nunca acontecer”, diz um empresário do município. 

O que diz a Prefeitura
Casan e Funasa já fizeram vistoria técnica da parte final da obra. Agora a empresa que venceu a licitação está instalado os equipamentos na estação de tratamento, pois os mesmos haviam sido furtados. Ainda não há data para o inicio do tratamento, bem como valores que a população irá pagar pelo serviço.

REVITALIZAÇÃO DO PRÉDIO DA CASA DA CULTURA
A edificação antiga que já abrigou a prefeitura do município acabou sendo interditada pelo Corpo de Bombeiros, por oferecer inúmeros riscos estruturais. Por longos anos, a estrutura da Casa da Cultura Maria Rosa, abrigou exposições, apresentações e cursos, o que foi ao longo dos anos deixando de ser oferecido devido a falta de manutenção da estrutura. 

Em 2018, através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Sustentável do Estado, foram conquistados recursos para que a edificação recebesse a devida revitalização. A expectativa é que o projeto fosse encaminhado antes do período eleitoral o que favoreceria a liberação mais ágil do recurso, e então, o inicio das obras, porém a administração não conseguiu realizar o processo a tempo.

O que pensa a população
“Por anos tivemos a Casa da Cultura como referência para a procura de cursos e até mesmo para as apresentações culturais. Lembro bem que de sua sacada já pode assistir a apresentação de corais e hoje não vemos mais nada disso, apenas um prédio com muitas marcas do tempo”, afirma um artista local. 

O que diz a Prefeitura
A administração informa que a liberação dos recursos está na fase burocrática e técnica, sem previsão para um desfecho. O projeto foi encaminhado para a Caixa Econômica que após analises técnicas solicitou adequações por parte da engenharia da prefeitura.

CONTORNO VIÁRIO
Essa é a única obra parada, mas não por culpa da administração. Depois do processo iniciado, a pavimentação do trecho que vai ligar a BR 282 sentido Faxinal dos Guedes a SC 480 sentido Bom Jesus, não foi liberado por falta de um projeto. Alças de contenção para facilitar o acesso de caminhões não foi incluído no projeto e assim a obra não foi liberada. Por diversas vezes a administração municipal e lideranças do município foram buscar agilizar a liberação, porém até o momento sem sucesso. 

O que pensa a população
“Quando começou achamos que ia ser outra obra demorada, pois o contorno viário Oeste, o da Femi, foi uma eternidade, agora esse foi muito rápido e com qualidade, mas aí até hoje não se liberou. É dinheiro parado”, diz um motorista que precisa do trecho para facilitar o escoamento da produção. 

O que diz a Prefeitura
O prefeito Avelino Menegolla e sua equipe já estiveram por diversas vezes na Capital do Estado solicitando em todos os departamentos possíveis a efetivação das alças de contenção, no entanto, até o momento o governo do Estado não sinalizou uma solução. O município também cobra do governo federal uma medida, pressionando o Deinfra e Dnit.

PLANO PARA CONTER AS CHEIAS
Cenas que os xanxerenses não viam desde meados de 1980 começaram a virar rotina assim que uma chuva torrencial atinge a cidade. Os dados apontam que os volumes estão cada vez maiores e a cidade mostra que não está preparada para conter as enchentes e alagamentos. Por diversas vezes comerciantes perderam mercadorias e moradores tudo o que tinham dentro de casa devido ao nível elevado do Rio Xanxerê, que corta a cidade, e acabou levando tudo o que viu pela frente. A administração até tentou deixar a culpa para os moradores que não fazem o descarte incorreto do lixo o que ocasiona o entupimento de bocas de lobo, no entanto, o trabalho precisou ficar mais sério e um estudo foi levantado pela Defesa Civil apontando um plano para conter futuras cheias.

O que pensa a população
“É sempre uma desculpa e nunca uma solução. Por mais de uma vez tive que desentupir a boca de lobo de fronte ao meu estabelecimento, até entrar no rio para tirar móveis e até hoje não vi solução para conter as enchentes. Casas estão a beira de barrancos prestes a caiar com a chuva, sem contar nas moradias irregulares da Vila União, onde o desastre por lá só não foi maior por sorte. Não se via um estudo, não se pensava em ações futuras, é loteamento em cima de loteamento, tudo asfaltado e é lógico que uma hora a natureza vai cobrar passagem”, frisa um empresário.

O que diz a Prefeitura
Prefeito e secretários estiveram em Brasília no último mês buscando apoio de deputados e de ministérios para alavancar os recursos para colocar o plano de contenção em ação. Até o momento não obteve sinalização positiva.

CONDIÇÕES DAS ESTRADAS DO INTERIOR
Um dos maiores problemas do município é a inconstância das condições das estradas do interior, que a cada chuva, traz transtorno para os moradores, inclusive ao escoamento da produção. As frentes de trabalho mal terminam os serviços em uma comunidade e já precisam retomar o serviço. Máquinas foram adquiridas para agilizar os trabalhos, porém parece não ser o suficiente. Nesta semana, inclusive, o Sindicato da Agricultura Familiar manteve reunião com o prefeito Avelino Menegolla a fim de cobrar medidas que solucionem o problema.

O pensa a população
“Já reclamamos diversas vezes. Falamos com secretário, com prefeito e vereadores, mas serviço com qualidade que é bom nada. É chover para começar tudo de novo e isso que tem lugar que a máquina nem passa e outros que só tapeiam por cima. A gente já está cansado, por vezes vi os vizinhos fazerem a recuperação dos acessos por conta, de tanto esperar pela Prefeitura e nada ser feito. Tem autoridade que só vem no interior quando é para pedir voto, depois esquece da gente”, disse um morador da Linha Cambuinzal.

O que diz a Prefeitura
Para a administração o principal problema é o clima. A chuva acaba danificando o serviço que precisa ser sempre refeito e muitas vezes não se consegue nem cumprir todo o cronograma, pois precisa ir retomando em vários pontos. 

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