Postado em 18 de Março de 2019 às 14h06

Bolsonaro quer reduzir quantidade de barcos de pesca no Brasil

Uma postagem do presidente Jair Bolsonaro (PSL) no twitter, neste domingo, surpreendeu o setor pesqueiro. 

Florianópolis - Uma postagem do presidente Jair Bolsonaro (PSL) no twitter, neste domingo, surpreendeu o setor pesqueiro. Ele afirmou que o governo discute projetos para reduzir o esforço de pesca no Brasil e a inclusão de pescadores em programas de turismo ambiental, como o mergulho. 

A medida tem reflexos em Santa Catarina. O Estado concentra o maior polo pesqueiro do país, em Itajaí, com cerca de 400 barcos industriais associados.

O secretário nacional de Aquicultura e Pesca, Jorge Seif Junior, ressaltou que o projeto ainda é embrionário. Mas disse que a ideia, discutida em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, converge com políticas internacionais ligadas ao tema.

_ A frota estimada no Brasil hoje é de 80 a 100 mil embarcações. Temos menos de 2 mil controladas. Ao longo dos anos, devido a planejamento insuficiente, falta de estatística pesqueira e erros de gestão, identificamos que existem esforços (de pesca) muito grandes.

O secretário não especificou onde estão os maiores problemas, mas disse que o governo pretende oferecer uma oportunidade para quem quiser deixar a atividade pesqueira. Segundo ele, o maior desafio do projeto é o financiamento. O governo avalia buscar ajuda internacional. 

- Poderemos esvaziar esses esforços (de pesca) fazendo com que os remanescentes tenham maior produção e mais controlada. Hoje não temos controle e isso é gravíssimo – afirmou.

Seif diz que a medida não contraria o posicionamento do presidente de aumentar o consumo de pescado no Brasil. Segundo ele, em todo o mundo tem aumentado o consumo de pescado vindo da aquicultura e da maricultura, e não da pesca extrativista.

- Estamos indo em direção à sustentabilidade e ao preservacionismo. Foram emitidas licenças indiscriminadamente - avalia.

André Matos, presidente da Câmara de Desenvolvimento da Indústria da Pesca na Fiesc, diz que redução é necessária. Ele já havia apresentado uma proposta semelhante ao governo federal, ainda durante a vigência do extinto Ministério da Pesca. 

- Tivemos uma crescente desordenada. A única maneira de organizar o setor, de ter futuro no extrativismo, é reduzir. Mas precisamos saber como vai ser. Quem tem o barco tem um bem, precisará ser indenizado.


(fonte: NSC)

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