Postado em 08 de Fevereiro às 09h52

Promotoria pede afastamento da atual administração do Lar do Idoso

Irregularidades, falta de transparência e uso indevido de dinheiro dos idosos estão entre os motivos da determinação. 

Por Joimara S.Camilotti

Xanxerê – A promotoria de justiça, através do promotor Marcos Augusto Brandalise informou nesta semana o afastamento imediato da atual diretoria do Lar do Idoso de Xanxerê, bem como a instauração de inquérito para apurar possíveis irregularidades no espaço que atende atualmente 23 idosos.

Após receber uma carta de ex-funcionários do Lar, onde relatavam constantes ameaças e o trato com os idosos sem respeito a individualidade de cada um, bem como, após dois anos de acompanhamento da promotoria com relação a prestação de contas da instituição, foi definida a destituição da atual diretoria em um prazo de 30 dias, além da criação de uma gestão onde membros da sociedade, com experiência em gestão possam se candidatar. 

Conforme relato de ex-funcionários, a gota d’agua foi a demissão sem motivo de três colaboradores do local, o que os levou a encaminhar a carta para a promotoria.

“Chegou ao um ponto que a sociedade está cobrando muito, é muita falta de transparência, de gestão e de implantação de políticas públicas individuais de cada idoso. O afastamento imediato da gestão é necessário para que a gente possa iniciar uma nova gestão e que a sociedade retome o crédito ao Lar do Idoso”, disse o promotor.

Entre os problemas observados pela promotoria, Brandalise destaca os de ordem técnica, estrutura, gestão, falta de transparência, pagamento, horas extras, depósito de valores de 30% dos idosos e assédio moral aos funcionários. “Isso acaba com todo e qualquer serviço, são vários problemas que se somaram e hoje fizeram com que a gente tomasse essa medida e a ação civil pública vai ser nesse sentido”, completou o promotor.

Outro grave problema constatado era o destino do benefício dos idosos. A lei determina que o Lar utilize 70% do salário e que os 30% restantes estejam em poder de cada idoso para que o mesmo utilize da forma que bem desejar.

“Eles utilizavam 100% de qualquer benefício e a lei é que só 70%, os outros 30 tem que ir para a conta do idoso, tem ainda a questão de horas extras, da compra de um veículo, empréstimo de dinheiro entre familiares, isso gera falta de transparência. Dois anos estamos acompanhando e nenhuma medida foi tomada, os 30% foi pedido explicação, mas ninguém conseguiu compreender os dados”, disse.

Caso a direção do Lar do Idoso, hoje presidida por Ivonete Rech, irmã da fundadora do local, Dionete Rech, não consiga provar a aplicação dos 30% do valor, bem como as demais informações, o promotor informa que será pedido o ressarcimento dos valores, bem como a instauração de inquérito policial.

A promotoria também determinou que nenhuma prefeitura firme convênio com o Lar até que os esclarecimentos sejam dados e que uma nova gestão seja constituída para gerir o espaço. 

“Precisamos fazer essa medida, uma quebra de paradigma, a sociedade é a que mais ajuda o Lar e nenhuma ajuda foi em vão e foi justamente por essa ajuda que vamos reverter esse quadro, se não fosse a força da sociedade nós não estaríamos tentando manter o Lar”, disse Brandalise.
A direção do Lar já foi notificada pela promotoria e deve se manifestar para a justiça nos próximos dias.
 

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