Postado em 28 de Novembro às 17h38

Voluntárias doam tempo e amor abrindo a Casa para pessoas que até então não conheciam

Associação Madre Bernarda envolve 50 voluntárias que hospedam parentes de pacientes internados no Hospital São Paulo.

Por: Joimara S.Camilotti

Xanxerê – Se doar, se envolver, estender os braços sem olhar a quem, cuidar, zelar e nas horas mais difíceis conseguir dar o apoio e o abrigo que tanto o outro precisa, assim, desde 2001, cerca de 50 voluntárias da Associação Madre Bernarda de Xanxerê, usa o tempo livre, e o restante que sobra dele para se dedicar aos outros.


A Associação começou com visitas à pacientes do Hospital Regional São Paulo. Sempre com um sorriso no rosto e uma identificação, elas passam de quarto em quarto pedindo se alguém necessita de roupas. Em 2015 passaram a administrar a Casa da Acolhida Madre Bernarda. Uma residência, localizada há 200 metros do hospital, que hospeda até 20 acompanhantes de pacientes do hospital.


Casa acolhedora
O local tem cheirinho da casa da vó, com toalhas e cortinas de renda, enfeites nas paredes, um casal de papai-nóis, tudo muito limpinho e organizado. Dois quartos para as mulheres com beliche e um quarto para os homens. Tem ainda uma sala bem aconchegante com sofá e televisão, um altar para orações, cozinha ampla, banheiros e lavanderia. Um armário identifica onde estão as roupas de cama. Nos fundos, uma horta bem cuidada com hortaliças e temperos, rodeado por um quintal com árvores e um escritório onde ficam as doações.


Quem está na coordenação geral dos trabalhos é a mãe e esposa, que deixou a Arquitetura para cuidar do pai doente, Jussara Acadrolli. Com o tempo ela conta que percebeu que poderia ajudar a cuidar de mais pessoas.

“Me sobra tempo e pensei posso cuidar de mais gente, assim me divido entre cuidar dos meus pais e cuidar dos outros. As vezes eu até já pensei em desistir, porque é bem doloroso, a gente sofre, sente a dor do outro, mas a motivação é maior, da tanto mais certo que errado que você pensa que não consegue mais viver sem isso. A gente se sente comprometida “, conta Jussara que já está há seis anos na Associação.


Ela conta que o trabalho é muito gratificante, pois se envolvem com histórias de pessoas que nunca viram que vem de toda a região do Estado. Tem quem fique na Casa apenas uma noite e quem já precisou ficar até dois seis. Tem que saia feliz com a alta do parente e quem deixei o local ainda mais triste do que entrou e o trabalho das voluntárias é dar o amparo necessário para estas pessoas.


Na Casa, os hospedes cuidam da limpeza e fazem a comida sendo incentivados a fazer bolos e sobremesas, a cuidar da horta e do jardim como se estivessem em casa, pois a atividade serve como uma terapia ocupacional.


Corrente do Bem
Jussara conta que graças à doação da comunidade, conseguem oferecer tamanha hospitalidade. O que não ganham, como fraldas geriátricas e de bebê, fazem brechós, pintam toalhas, vidros com bolachas e vendem. Luz, água e gás são pagas pela Associação, o aluguel da Casa é mantido pelo Hospital e nenhum hospede paga para ficar no local.


Sala mantida no Hospital
As voluntárias tem um zelo enorme em auxiliar o próximo com agilidade. Desta forma, mantem uma sala dentro do hospital, onde há kit higiene, pijama, chinelo, roupas para bebê e fraldas. Assim que vai sendo doado aos pacientes que chegam só com a roupa do corpo ou uma mãe que teve o parto inesperado elas já atendem. São roupas em ótimo estado, inclusive com peças novas. Assim como vão entregando, vem outra voluntária com mais roupas abastecer a sala.


Para ser uma voluntária
Além de um treinamento de seis meses, com capacitação e aprendizado de boas higienes, como abordar e falar com as pessoas é necessário ter muito amor e empatia pelo outro. O que se recebe? Em dinheiro nada, mas a gratidão das pessoas ao afirmar que “estão num paraíso” não tem preço.


Para os hospedes
Enquanto as hospedes, Olinda Rodrigues Padilha, da cidade de Machadinho e Rosane de Oliveira, de Videira, separavam as frutas e legumes doados por um programa, era nítido o envolvimento de ambas que acabaram tendo as histórias cruzadas devido a doença. Elas contam que se sentem em casa e que foram muito bem acolhidas. “Graças a Deus tem esse lugar para a gente ficar. Estou com meu ex-marido internado desde o dia 25 de outubro, se não fosse pela Casa não teríamos como nos manter na cidade”, conta Olinda.
Só fica hospedado quem vem com encaminhando do Hospital, a qualquer horário do dia. Quem estiver na Casa, recepciona, mostra o local e no dia seguinte a voluntária Sheli Dal Bello de Souza faz o cadastro e passa as orientações.


“Cada um chega aqui com uma história de fragilidade extrema, nunca espera que vá acontecer contigo, ai você é pego de surpresa, quando você vê teu familiar está na UTI passando por uma cirurgia, chega numa cidade estranha , não sabe para onde ir, os que podem pagar vão para um hotel, mas muita gente não pode, e eles ficam muito agradecido do amparo da Casa, da família, porque os outros que estão aqui estão pelos mesmos motivos. Um ampara o outro, dividem as experiências, um da força para o outro e se ajudam. As pessoas chegam tímidas, desesperadas e desnorteadas, quem está na Casa abraça, acolhe, mostra o quarto, onde está as roupas de cama, serve comida e ela já se sente acolhida”, finaliza Jussara.
 

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