Governo libera em outubro mais que o dobro do valor de emendas liberadas em agosto e setembro

Por Portal DX 24/10/2017 - 18:58 hs
Foto: Divulgação G1

As vésperas da votação na Câmara da denúncia contra o presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral), o governo mais que dobrou a liberação de emendas parlamentares neste mês de outubro, se comparado com setembro ou agosto.

De acordo com dados da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara, o empenho de emendas individuais, que havia ficado em R$ 138 milhões em agosto e R$ 273 milhões em setembro, saltou para R$ 687 milhões apenas nos primeiros 23 dias de outubro.

As emendas parlamentares são recursos previstos no Orçamento, cuja aplicação é indicada por deputados e senadores. O dinheiro é empregado em projetos e obras nos estados e municípios.

Quando ocorre o empenho, o valor da emenda fica registrado em "contas a pagar", e o Executivo é obrigado efetuar o pagamento até o ano seguinte.

Com a aprovação do orçamento impositivo, em 2015, o governo passou a ser obrigado a liberar todo ano a verba prevista para as emendas. No entanto, o Palácio do Planalto pode decidir como fará a distribuição ao longo dos meses.

G1 entrou em contato com o Palácio do Planalto e aguardava retorno até a última atualização desta reportagem.

Na época da primeira denúncia, o governo informou que a liberação de emendas não tinha relação com a análise das acusações, e que a liberação é obrigatória e prevista no orçamento.

Também alegou à época que, "tradicionalmente", há maior empenho de emendas nos finais de semestre.

 

Primeira denúncia

O movimento observado agora também foi registrado quando a Câmara analisou e rejeitou a primeira denúncia contra Temer, por corrupção passiva.

Deputados da oposição acusaram o governo de negociar emendascomo moeda de troca para conseguir barrar as acusações.

Na primeira denúncia, a liberação das emendas saltou nos dois meses que antecederam a votação em plenário.

O empenho de recursos que não ultrapassou R$ 6 milhões mensais até abril, foi a R$ 89 milhões em maio, R$ 1,8 bilhão em junho e R$ 2,2 bilhões em julho.

Após a votação, feita no dia 2 de agosto, o valor recuou para R$ 138 milhões em agosto. Segundo dados do Senado, o valor liberado em agosto foi de R$ 199 milhões.

Fonte: G1