A vitória que significa derrota

A vitória que significa derrota

Por Portal DX 27/10/2017 - 09:59 hs

A vitória que significa derrota
Para aqueles que acreditam ainda no moralismo da política brasileira, a suspensão da denúncia contra o presidente Temer, por meio dos votos dos parlamentares foi mais uma derrota. Embora tudo correu dentro da “legalidade” das leis brasileiras é inadmissível presenciarmos tamanha articulação para livrar o presidente de um processo de investigação.

Filtros da justiça
Este sistema que impede que governantes sejam investigados nada mais é que um filtro da justiça, ou seja, o Supremo Tribunal Federal precisa do aval dos parlamentares para que uma denúncia seja levada adiante. Porque tamanho privilégio do presidente? Qualquer cidadão civil que tiver uma denúncia contra si imediatamente é feita a investigação e tomada as providências, mas esse não é o mesmo parâmetro quando se trata de políticos.

A denúncia
A denúncia não foi qualquer denúncia de intriga da oposição. O presidente Michel Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) foram denunciados pelos crimes de formação de quadrilha e organização criminosa, inclusive com depoimentos de delatores. Infelizmente os deputados federais, “representantes” deles mesmos blindaram Michel Temer, alvo do processo do STF.

Os catarinenses
A maioria dos deputados catarinenses votou a favor da investigação contra Michel Temer. Com a ausência de um e a mudança de opinião de dois parlamentares, placar de Santa Catarina mudou em relação à primeira votação. O placar foi de nove votos não, seis votos sim e uma ausência. Na primeira votação, o placar foi de nove votos sim e sete não. Veja a justificativa de cada parlamentar:

Carmen Zanotto (PPS) – Não
“Não ao relatório, pelo prosseguimento da denúncia.”

Celso Maldaner (PMDB) – Sim
“Em respeito à Constituição Federal, pela retomada do desenvolvimento do nosso país e pela geração de emprego, controle da inflação, eu voto sim.”

Cesar Souza (PSD) – Sim
“Eu voto sim.”

Décio Lima (PT) – Não
“É repugnante para o país estarmos vivendo este momento. Mais repugnante é o palco dessa Casa, da hipocrisia e do fisiologismo. Aqui está o nosso brado, ‘Fora, Temer’, fora os crápulas, é não.”

Esperidião Amin (PP) – Não
“‘Cada homem bravo, cada bravo cidadão’, diz o hino de Santa Catarina. Nem mais, nem menos. Pelo prosseguimento da denúncia, voto não.”

Geovania de Sá (PSDB) – Não
“Temos sempre que buscar votar com coerência nessa Casa. Não seria diferente nessa votação. Votarei não ao relator, não ao arquivamento.”

João Paulo Kleinubing (PSD) – Não
“Voto não ao relatório.”

João Rodrigues (PSD) – Sim
“Quando eu vejo o PT dizer que é conta a corrupção e quer Lula no governo, eu sou a favor da continuidade do presidente Temer e a investigação a partir de janeiro de 2019. Portanto, sim.”

Jorge Boeira (PP) – Não
“Repugnante, nojento, é a corrupção. Voto não à permanência do Temer junto à Presidência da República.”

Jorginho Mello (PR) – Não
“Coerência sempre norteou a minha vida. Rejeito o relatório, voto não, prosseguimento da denúncia contra o presidente Temer.”

Marco Tebaldi (PSDB) – Ausente

Mauro Mariani (PMDB) – Não
“Eu voto não.”

Pedro Uczai (PT) – Não
“Temer, chefe da quadrilha e corrupto. Golpista que está roubando direitos dos trabalhadores brasileiros. Que quer roubar dos aposentados a Previdência e que está destruindo o patrimônio dos brasileiros e dos catarinenses. Voto não. ‘Fora, Temer’.”

 Rogério Peninha Mendonça (PMDB) – Sim
“Voto sim ao relatório do deputado Bonifácio de Andrada, do PSDB.”

Ronaldo Benedet (PMDB) – Sim
“Pela estabilidade na economia, estabilidade política, voto sim.” 

Valdir Colatto (PMDB) – Sim
“Pra não acompanhar aqueles do ‘enquanto pior, melhor’, pela agricultura, pela governabilidade, pelo direito à propriedade, voto sim.”

Justificativas
Para mim não é aceitável o voto pela não investigação de uma denúncia tão grave justificando que o Brasil precisa ter governabilidade. Os fins não justificam os meios, a denúncia deveria seguir em frente, mesmo que esta trouxesse prejuízos econômicos. Esse era o momento de limpar o Brasil, mas pelo que aconteceu vamos continuar varrendo a sujeira para debaixo do tapete.