Curso de Cinotécnico reúne em Xanxerê bombeiros de oito estados do Brasil

Por Portal DX 25/11/2017 - 08:14 hs
Foto: Cristiane Aline

O curso de formação de bombeiros em cinotécnico, reúne até dia 02 de dezembro, em Xanxerê 11 instrutores catarinenses e 25 bombeiros  de oito estados do Brasil: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Amapá, Pará, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.

O curso coordenado pelo Corpo de Bombeiros de Xanxerê é direcionado apenas para bombeiros cinotécnico, profissionais da corporação que escolherão um filhote de cão para iniciar os treinamentos para futuramente serem empregados no sistema de buscas em caso de catástrofes como terremotos, enxurradas e deslizamentos.

De acordo com o tenente Alan, alguns estados já possuem o serviço de cães e vem para se aprimorar, mas outros não, como é o caso do Amapá, que busca capacitação para posteriormente tentar implantar no seu estado, como já ocorreu em outros casos.

Em Santa Catarina, como já existe o serviço, para os bombeiros daqui o processo de trabalho com o cão é mais complexo, além deste curso básico, precisam fazer um estágio de 300 horas acompanhando outros cinotécnicos formados em trabalhos de certificações, figuração e ocorrências reais. Depois disso, a coordenadoria avalia se o bombeiro está apto para receber o cão. “Então, é feito isso para evitar problemas de, às vezes, alguém que não tem o perfil, receber o cão e acabar se frustrando”.

Tenente Alan explica que, basicamente, nesta capacitação é trabalhado o emprego de cães em áreas rurais, urbanas em escombros e deslizamentos, que são a realidade de Santa Catarina, além da busca por cadáveres. “Quando vamos para um a ocorrência chegamos para procurar uma pessoa em vida, mas pode evoluir para um óbito, então este cachorro precisa estar apto para encontrar esse cadáver e, para isso, não tem outra maneira se não utilizar como amostra o próprio tecido humano. Isso conseguimos através de uma parceria oficial com o IGP, que cede algumas amostras de material que seriam descartados. Trabalhamos com o material dentro do PVC, de maneira que o animal não tenha contato, apenas sinta o odor”.

O bombeiro avalia que é necessário que o material seja específico, pois em anos anteriores já tentaram usar carne de gado e frango, mas na prática o resultado não foi bom. “Em 2008, no desastre do vale do Itajaí, os cães acabavam localizando os animais que estavam em decomposição, por isso, é muito específico. O cão tem uma capacidade muito grande e consegue discernir muito bem um odor de outro”.

O instrutor para busca de restos mortais, tenente Moura e o cão Jonny, de Maravilha, já atuou na área de busca com cães e está se especializando na área de busca de cadáveres.  “A ideia é vir e tentar contribuir na formação destes novos condutores”. Para ele, a importância deste treino é que muitas ocorrências podem evoluir para óbito, como pessoas perdidas, mal súbito, vítima de afogamento, suicídio, e o cão tem uma ferramenta incrível, que é o olfato. “Podemos ensinar o cão a achar o odor do cadáver humano. Estou ensinando passo a passo do treinamento para que esses bombeiros possam capacitar seus cães para atuar na busca”.

Tenente Moura iniciou na profissão em 2010, como bombeiro, se interessou pelo trabalho com cães pela proximidade com Xanxerê e sua referência no Brasil e América Latina. “Uma vez, eles foram atender ocorrência em Maravilha e acharam a vítima que estava desaparecida e isso me tocou. É muito bom ter uma ferramenta como o cão na busca. E depois do curso em 2013 aceitei o desafio de pegar um filhote e desde 2015 atuo na busca com cães. hoje, meu cão Jonny já tem três anos, dois de atuação”.

 

Por: Cristiane aline/nileza durand