Exclusivo – “Lula deveria ser tratado como condenado e não como candidato”, diz Álvaro Dias ao DX

Entrevistei de forma exclusiva, o pré-candidato à Presidência da República, Álvaro Dias, que falou sobre as eleições 2018, como governar sem o apoio do congresso e ainda avaliou a exposição de Bolsonaro e Lula na grande mídia.

Por Beto Grasel 13/01/2018 - 13:20 hs

Nesta sexta-feira (12), o Senador e pré-candidato a Presidência da República Álvaro Dias ( PODEMOS ), esteve de passagem por Chapecó onde visitou o prefeito Luciano Buligon e o vice Élio Cella. O Deputado Estadual Natalino Lázare, primeiro parlamentar catarinense do PODEMOS, acompanhou a comitiva, além do pré-candidato a Deputado Federal por Santa Catarina Carlos Dieter Werner, empresário e ex-prefeito de Corupá.   

Acompanhei a chegada do presidenciável à Capital do Oeste na tarde de sexta-feira e entrevistei com exclusividade o senador e ex-governador do estado do Paraná, que falou sobre as expectativas para a corrida presidencial além da avaliação da “onda Bolsonaro”. Álvaro Dias fez críticas ao modo como a grande mídia vem tratando o ex-presidente Lula, que na sua avaliação, deve ser considerado como réu condenado em primeira instância e não como candidato.  

O PODEMOS é um partido novo, ainda com pouca representatividade nos estados, como o senhor avalia a possível  falta de palanque eleitoral?

Álvaro Dias - Eu acredito que esta eleição será bastante diferente, principalmente pelo fato de termos muitas decisões suprapartidárias, muita dissidência dos partidos em função do choque que ocorrerá da aliança estadual com a aliança nacional. Por exemplo, aqui em Santa Catarina, o candidato de Geraldo Alckmin será o Paulo Bauer, evidentemente que o governador Colombo terá outro candidato a presidente. Ainda não se sabe com quem o PMDB estará nacionalmente, então o próprio militante peemedebista  aqui do estado pode quem sabe, votar para  um candidato de um partido diferente. Dou outro exemplo, o Helber Barbalho do Pará, ele já me chamou e disse que quer que eu esteja no palanque dele. Segundo o Helber, e isso ele ofereceu para mim já por diversas vezes, em cada município do Pará eu terei uma pessoa de confiança dele coordenando a minha campanha, por estas coisas eu acredito que haverá muita dissidência e nós poderemos ter apoio de vários partidos dentro dos estados.  

Como o Sr. avalia a liderança de Lula na pesquisas, mesmo em meio a toda essa turbulência da Lava Jato?

Álvaro Dias – Olha, eu acredito que a grande mídia deveria tratar o Lula como condenado e não como candidato, pois é isso que ele é. Ele é condenado em primeira instância e acredito que seja também condenado no julgamento em Porto Alegre. Ele chefiou uma organização criminosa, não sou eu que estou dizendo, é o Ministério Público Federal, então ele não poderia ser tratado como candidato e sim como réu e condenado já em primeira instância. Divulgam-se pesquisas que mostram que o Lula tem 30 % da intensão de votos, mas ao mesmo tempo se você fizer uma pesquisa pedindo quem deseja que ele vá pra a cadeia, o resultado é:  54% querem ver ele preso. Então as manchetes deveriam ser: Pesquisa mostra que a candidatura de Lula está inviabilizada; Colocar que ele é o favorito a vencer as eleições é um absurdo. A parcela da mídia que faz isso está totalmente equivocada e ficam batendo nisso todo dia.

E a onda Bolsonaro?

Álvaro Dias - Eu ainda não vejo onda nenhuma, até porque a população confirma nas pesquisas que ainda não escolheu candidato. 70% da população declara ainda não saber em quem votar, então não existe onda, o que existe é onda na imprensa e nas redes sociais. As pesquisas que divulgam agora estão num momento inadequado, agora as pesquisas deveriam apenas demonstrar a rejeição dos candidatos. A rejeição sim, diz respeito ao passado e ao presente, intensão de voto diz respeito ao futuro e o futuro ainda virá.

Como o senhor pensa em governar o país sem ter possivelmente o congresso do seu lado?

Álvaro Dias - Nós temos que inverter o processo, procurar governar com a sociedade em primeiro lugar. O que ocorre atualmente é que o presidente da república vai primeiro ao congresso buscar apoio, se desmoraliza, pois muitas vezes instala um balcão de negócios e depois vai pedir o apoio da sociedade e o resultado é o que estamos vendo. Dois terços da sociedade é contra a reforma da previdência e isso ocorre exatamente por que ele não se comunica com a sociedade, a quem ele deveria ter consultado antes de ir ao congresso. Se a sociedade estiver do lado do presidente, o congresso não rema contra isso.

A pergunta que todo o brasileiro gostaria de saber a resposta: O que fazer para o Brasil sair deste “lamaçal” institucional e moral onde está afundado?

Álvaro Dias - Acima de tudo coragem para mudar. Precisamos refundar a república, reformando o estado brasileiro, eliminando os privilégios nos três poderes, acabando com esse sistema de governança corrupta. Sem isso o Brasil não vai alcançar nunca os índices de crescimento econômico compatíveis com a sua grandeza. Eu já comecei, sou o autor da PEC do fim do foro privilegiado, que deve ser votado em breve. Se acabar com isso, será uma grande ferramenta para a Lava Jato. O político será julgado como qualquer cidadão comum, isso é essencial para acabar com essa casta de privilegiados que temos no Brasil.  

A visita do presidenciável ao Oeste Catarinense foi articulada pelo pré-candidato a deputado federal, Carlos Dieter Werner, que também  proporcionou à Álvaro Dias uma visita ao monumento “Gol Eterno”, na Arena Condá, onde presenteou o Senador com uma camisa da Chapeconse. Carlos Werner tem uma vida pública que lhe credencia a uma vaga no congresso federal, tendo sido por vezes prefeito e vice-prefeito de Corupá no vale do Itajaí, além de circular na cúpula tucana catarinense antes de ingressar no movimento “PODEMOS”. Werner é empresário do ramo imobiliário e de usinas hidroelétricas.