A diferença entre ser uma chefe e ser uma líder

Conheça a história da xaxinense Maria Fernanda Rigotti que palestrou para mulheres em evento promovido pela Aciax

Por Portal DX 08/03/2018 - 08:11 hs

A Associação Comercial e Industrial de Xaxim (Aciax), por meio do Núcleo da Mulher Empresária, realizou na noite da última terça-feira a palestra A transformação da Mulher no Mercado de Trabalho. A Palestrante Maria Fernanda Rigotti contou sua história de vida e as dificuldades encontradas para se estabelecer no mercado de trabalho, em uma posição ocupada em sua maioria por homens.

Maria Fernanda Rigotti é xaxinense, mas há 17 anos deixou o município para estudar Engenharia Civil. Na época da faculdade, Maria Fernanda sabia que iria encontrar bastante concorrência, especialmente por homens, e se esforçou para melhorar seu currículo ao longo do curso. “Eu fiz cinco estágios durante minha graduação, um deles fora do Brasil, em Belfast, e outros aqui no Brasil, o último em uma construtora durante um ano e meio. Foi neste estágio que eu me apaixonei em trabalhar no campo, ou seja, junto com as pessoas”, disse.

Ao longo de sua carreira, Maria Fernanda dedicou cinco anos de trabalho na construção civil, um ambiente com predomínio de homens (91%) e mais cinco anos na área de Petróleo (88%). “Eu fui trabalhar no Nordeste em uma empresa de Petróleo num ambiente predominado por homens. Além disso, eu sou branca e loira que é hoje uma característica pejorativa porque a loira é taxada como burra, do Sul e engenheira recém-formada e ganhando mais que eles, então foi uma experiência difícil. Muitos funcionários não obedeciam minhas ordens e tive que me fortalecer, ou seja, eu tive que ser mão de ferro, ser aquilo que eu não era”, relembra.

Não bastasse o machismo, uma colega gerente mulher foi o maior problema que encontrou na empresa. “Ao longo do tempo eu percebi que ao invés de ter uma mulher que me ajudasse, foi o contrário”, conta.

Buscar tal reconhecimento no ambiente não foi fácil, Maria Fernanda trabalhava como qualquer outro homem em funções pesadas, chegou a trabalhar 60 dias ininterruptos. Posteriormente ela foi agraciada com um alto cargo na empresa, prestando serviço para a área técnica da Petrobrás. Ela ainda se capacitou com cursos técnicos nos Estados Unidos e França. Aos 26 anos, Maria Fernanda foi Gerente da Base de Petróleo do Espírito Santo e posteriormente trabalhou na Petrobrás em Salvador na área administrativa.

O sucesso profissional estava garantido, mas Maria Fernanda não havia encontrado ainda sua realização pessoal. Com excesso de trabalho, ela passaria também por uma situação constrangedora, um assédio sexual por parte de um amigo de trabalho. “Foi algo horrível que eu consegui escapar, mas a situação me fez entrar em um buraco muito grande. O excesso de trabalho, o fato de eu sempre estar tentando ser uma pessoa forte para me manter no ambiente de trabalho, mais a situação do assédio, então foi difícil, até deixar de comer eu deixei”, lembra.

Maria Fernanda se afastou do trabalho por seis meses, quando recebeu uma nova proposta de trabalho na área da Construção Civil. “Eu tinha que gerenciar uma obra gigantesca e para mim era um desafio e eu comecei a estudar sobre liderança, coaching, e nesta obra, pela primeira vez eu consegui ser uma líder e não uma chefe como eu era no passado. Na obra eu contratei muitas mulheres e esta experiência deu muito certo. Como gestora não tive problemas de conflitos, nesta época eu tive orgulho de mim foi ali que consegui entender meus erros do passado”, ressalta.

Maria Fernanda também foi professora e coordenadora do Curso de Engenharia Civil. Em 2015 ela foi contratada por um chinês para fazer inspeções em obras no Brasil. Desde 2016 realiza auditorias nas Américas do Sul, Central e Norte.