Audiência debaterá obrigatoriedade de cisternas

Audiência debaterá obrigatoriedade de cisternas

Caso aprovado, item será obrigatório para liberação de habite-se em todas as novas construções acima de 100m²

Por Portal DX 20/03/2018 - 09:34 hs

Xanxerê - Risco de estiagem, constantes alagamentos e economia de água, foram alguns pontos analisados para a criação do projeto que insere as cisternas como item obrigatório em novas construções acima de 100m² em Xanxerê. Segundo o vereador Vilson Piccoli que foi o propositor, o projeto foi elaborado em conjunto com o conselho do Plano Diretor e engenheiros do CEAI.

Segundo projeto, novas construções acima de 100m², em qualquer âmbito, deverão conter obrigatoriamente no projeto a cisterna, tornando-se item indispensável para liberação de habite-se.

“Temos esta ideia por diversos motivos um deles é para o proprietário do imóvel ter um aproveitamento da água da chuva, pois em caso de estiagem acima de 15 dias os moradores terão água para lavar calçadas, molhar as plantas, etc. Outro ponto é que as cisternas funcionam como um dique, um reservatório de água. Assim quando houver uma chuva forte e rápida, diminui o volume de água que escoa pelas ruas, ajudando a evitar alagamentos, comuns na cidade”, comenta Piccoli.

Segundo Vilson, um estudo realizado juntamente com engenheiros do CEAI e do Plano Diretor, apontou que a água das chuvas vem das extremidades mais altas do município como do Contorno viário e se acumula no centro de Xanxerê, causando os alagamentos. As cisternas, segundo ele, seriam como uma barreira, pois com o crescimento e expansão da cidade, os pontos das extremidades ficam casa vez mais povoados, auxiliando na barreira da água e consequentemente menor escamento para o centro.

“No estudo que fizemos juntamente com o conselho do plano diretor e engenheiros do CEAI, toda bacia que escore pelo centro de Xanxerê vem desde antes do contorno viário, então toda água que vem de lá acaba acumulando no centro da cidade.  Claro que não é uma coisa que vai resolver imediatamente, mas com a expansão da cidade, com mais construções e estas já com cisternas, vai diminuir muito o volume de água que vem ao centro. Ou vai piorar muito caso não tenha pois será mais asfalto, mais impermeabilização do solo”, pontua.

Outra sugestão que está em aberto no projeto é quanto as construções já constituídas. A ideia do vereador é que seja elaborado algum beneficio de incentivo a instalação de cisternas em construções já efetivadas.

“A ideia é essa, reaproveitamento da água da chuva, para que a pessoa tenha um custo baixo. Se for analisar, em uma construção de 100m², colocar uma cisterna que de cerca de R$300,00 é quase um valor ilusório e vai beneficiar o próprio morador e ainda mais a sociedade e meio ambiente. Todo mundo ganha com isso”

CISTERNAS X DENGUE

Um ponto levantado pela equipe ao vereador foi quanto a relação das cisternas aos casos de dengue e proliferação do mosquito Aedes Aegypti no município, onde tem os maiores números de cidades infestadas.

Segundo Picolli a questão da dengue e relação com a obrigatoriedade das não foi discutida, pois entraria no programa de prevenção obrigatório pelo município.

“Nós deixamos a questão da dengue em aberto, pois a vigilância vai fazer isso como em qualquer caixa d’água. Quanto às cisternas elas já vão entrar no projeto que é aprovado na prefeitura, lá o engenheiro vai saber repassar como deve ser feita. A prefeitura, por meio do setor de engenharia que vai aprovar se não estiver atendendo os critérios, não é liberado o habite-se”, explica.

Para o coordenador de saúde e engenheiro ambiental e sanitarista de Xanxerê Mauro Narciso o projeto não deve trazer problemas para a questão sanitária da dengue, desde que seja realizado um trabalho de conscientização e orientação da população quanto à manutenção.

“Quanto à relação com a dengue acredito que não interfira desde que seja vistoriado. Terá que ser feito um trabalho de orientação bem forte para levar a questão à população, pois que tiver uma cisterna terá uma fonte de dengue próxima, por isso precisa ser extremamente fechada, consumida e mantida de maneira adequada para que não tenha problema. Por outro lado, os órgãos públicos precisarão se adequar e vistoriar com o tempo todas essas residências”, comenta Mauro.

Vilson ainda explica que a lei das cisternas já existe no município mas a consideram equivocada, pois obriga a instalação em residências próximas ao rio e segundo pesquisa e entendimento do grupo de engenheiros, deveria ser ao contrário.

“Essa lei já existe e diz que as áreas próximas ao rio devem ter cisterna, mas no nosso entendimento é equivocada, pois diz que quem margeia o rio deve ter cisterna e nessas áreas sempre vai estar alagado. Nossa ideia é que nas áreas altas tenham as cisternas, para evitar que a agua chegue até a área baixa resultando em alagamento. Se aprovado na Câmara nós estaremos só revogando a lei antiga e aplicando o projeto”, explica Vilson.

Para discussão e apresentação do projeto será realizado dia 12 de abril a partir das 19 horas na Câmara de Vereadores uma Audiência Pública para participação da comunidade, após, o projeto vai a votação na Casa. Se aprovado passa a valer com a sanção do prefeito. No mesmo dia será debatida também a expansão do perímetro urbano de Xanxerê.

“Montamos o projeto com muitas mãos, conversamos com engenheiros e agora queremos mostrar a comunidade e explicar qual a intenção”, finaliza Picolli.

“O projeto é importante, mas precisa ser dos dois lados, com manutenção e orientação. Se os dos lados trabalharem de forma adequada acredito que não haverá problema. Quem usa cisterna precisa estar consciente das responsabilidades. Para a vigilância aumentará o trabalho de fiscalização, mas as pessoas ganham também com a economia da água encanada”, completa Mauro.

Olho: “O projeto é uma forma paliativa de tentar melhorar os problemas de alagamentos comuns na cidade”. Vilson

POR: CRISTIANE ALINE

FOTO: ARQUIVO CRISTIANE ALINE