Quem são os 23 catarinenses citados em delações e planilhas da Odebrecht

Quem são os 23 catarinenses citados em delações e planilhas da Odebrecht

Aos políticos catarinenses, é atribuída a soma de R$ 20,1 milhões em pedidos de doações para campanhas eleitorais por meio de caixa 2

Por Portal DX 16/04/2018 - 10:07 hs

 

Fonte: Jornal Dotícias do Dia/ND online

Caso sejam confirmadas as informações prestadas nas delações e nas listas apresentadas pelos executivos da Odebrecht, políticos catarinenses teriam pleiteado R$ 20,1 milhões por meio de caixa 2. As acusações apresentam, até o momento, 23 nomes, dos seguintes partidos: PDT, PP, PSB, PSD, PSDB e PT.

No Brasil, as delações envolveram pelo menos 415 políticos de 26 dos 35 partidos legalmente registrados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O levantamento foi publicado pelo jornal “O Estado de S.Paulo” e alcança R$ 1,68 bilhão.

Em Santa Catarina, os próprios delatores afirmam que nem todos os valores pedidos chegaram a serem repassados e, ao que tudo indica, a maior parte do dinheiro tinha como pano de fundo a privatização da Casan, que acabou não se confirmando.

Nos encontros narrados pelos delatores Fernando Reis e Paulo Welzel, 19 catarinenses são citados. Outros quatro nomes aparem na lista apresentada por Benedicto Junior, que comandou o Departamento de Operações Estruturadas, centro de distribuição de propinas da empreiteira.

O rol dos catarinenses citados também obedece dinâmica própria para cada caso. Enquanto quatro já respondem em inquéritos abertos pelo ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), seis ainda aguardam manifestação em outras instâncias. Os demais, até o momento, ainda não são alvos de processos formais. “O meu nome aparece em uma lista, mas eu não respondo a nenhum processo, sou ficha-limpa. O que pode ter ocorrido é que alguém do partido, não sei se presidente ou líder, pegava dinheiro com esse pessoal e relacionava o nome de alguns deputados”, afirmou o suplente de deputado federal Edinho Bez (PMDB), um dos citados em planilha.

O conselheiro do TCE, Júlio Garcia, que também não responde a nenhum inquérito no âmbito da Lava Jato até o momento, afirma que não se recorda de ter participado de reuniões em seu gabinete com executivos da Odebrecht para pedir dinheiro para as campanhas de Gelson Merísio (PSD) e José Nei Ascari (PSD), como afirmou o delator Paulo Welzel.

No Supremo Tribunal Federal

Napoleão Bernardes (PSDB), prefeito de Blumenau
Teria recebido R$ 500 mil para a campanha à Prefeitura de Blumenau, em 2012
Defesa:
Diz estar “perplexo” com a menção e ter “certeza de que os fatos serão esclarecidos, mostrando sua isenção”

Dalírio Beber (PSDB), senador
Teria solicitado R$ 500 mil para a campanha de Napoleão Bernardes, em 2012
Defesa:
“Rechaço com veemência toda e qualquer denúncia de prática de ilícitos. Estou indignado, mas absolutamente tranquilo”

Ana Paula Lima (PT), deputada estadual
Teria recebido R$ 500 mil para a campanha à Prefeitura de Blumenau, em 2012
Defesa:
“Não sou ré e nem investigada em nenhum processo da Lava Jato. Doações à minha campanha foram declaradas e aprovadas”

Décio Lima (PT), deputado federal
Teria solicitado R$ 500 mil para a campanha de Ana Paula Lima, em 2012
Defesa:
“Não sou réu e nem investigado em nenhum processo da Lava Jato. Minha vida pública sempre foi pautada pela ética”

No Superior Tribunal de Justiça, Tribunal Regional Federal e Justiça Federal no Estado

Raimundo Colombo (PSD), governador de SC
Segundo Fachin, teria recebido R$ 2 milhões em caixa 2 para eleição de 2010. Segundo delações, teria pedido R$ 17,1 mi e recebido R$ 13,1 mi para si e aliados
Defesa:
“Não foi celebrado contrato, não foi feito nenhum pagamento, nem foi concedida qualquer vantagem à empresa citada”

Jean Kuhlmann (PSD), deputado estadual
Teria recebido R$ 65,6 mil, em 2004, quando vereador, e R$ 50 mil, para campanha a prefeito, em 2012
Defesa:
“Jamais tratei de assunto relacionado a campanhas. Minhas contas eleitorais sempre foram aprovadas e apresentadas dentro do rigor que exige a Justiça”

Ideli Salvatti (PT), ex-senadora
Teria recebido R$ 300 mil para a campanha ao governo do Estado, em 2010
Defesa:
“Como no caso da falsa delação de [Nestor] Cerveró, comprovarei que as doações à minha campanha eleitoral foram declaradas e aprovadas pelos órgãos competentes”

Carlito Merss (PT), ex-prefeito de Joinville
Teria solicitado R$ 300 mil para a campanha de Ideli Salvatti, em 2010
Defesa:
Segundo a assessoria do PT-SC, foi submetido a uma cirurgia e ainda não havia uma manifestação por parte do ex-prefeito de Joinvile

Roberto Carlos de Souza (PSDB), ex-prefeito de Navegantes
Teria recebido R$ 500 mil para a campanha à Prefeitura de Navegantes, em 2012
Defesa:
Não se manifestou

Jaison Cardoso Souza (PSDB), ex-prefeito
Teria recebido R$ 300 mil para a campanha à Prefeitura de Imbituba, em 2012
Defesa:
Não se manifestou

Citados em delações ou com nomes em planilhas

Cesar Souza Júnior (PSD), ex-prefeito de Florianópolis
Teria recebido R$ 3 milhões para a campanha à Prefeitura de Florianópolis, em 2012
Defesa:
Em entrevistas disse que nunca teve contato com nenhum executivo ou funcionário da Odebrecht

Gelson Merisio (PSD), deputado estadual
Teria recebido R$ 550 mil para a campanha de 2014
Defesa:
“Apresentará no decorrer da semana, todos os documentos oficiais que comprovam a inexistência de qualquer procedimento investigativo”

José Nei Ascari (PSD), deputado estadual
Teria recebido R$ 550 mil para a campanha de 2014
Defesa:
“Apresentará no decorrer da semana, todos os documentos oficiais que comprovam a inexistência de qualquer procedimento investigativo”

Angela Amin (PP), ex-deputada federal
Teria recebido R$ 300 mil para a campanha ao governo do Estado, em 2010
Defesa:
Em outras entrevistas, informou que todo o dinheiro da sua campanha foi repassado de forma oficial e que não conhece ninguém da Odebrecht

Edinho Bez (PMDB), deputado federal
Teria recebido R$ 50 mil para a campanha à Câmara dos Deputados, em 2010
Defesa:
“É importante que se diga que em 16 anos de vida pública eu nunca recebi um processo, sou ficha-limpa. Não sujaria minha história por R$ 50 mil”

Tico Lacerda, (ex-PDT), ex-candidato
Teria recebido R$ 50 mil para a campanha à Câmara dos Deputados, em 2010
Defesa:
Não se pronunciou, Está fora do país

Paulo Bornhausen (PSB), ex-deputado federal
Teria recebido R$ 100 mil para a campanha à Câmara dos Deputados, em 2010
Defesa:
Em outras entrevistas Bornhausen informou que vai se manifestar após ter mais detalhes sobre o processo

Antonio Gavazzoni, secretário da Fazenda
É citado em delação como intermediário de pedidos de doação via caixa 2
Defesa:
Se vale da nota do governo do Estado, que classifica a delação da Odebrecht como “absurda, carregada de mentiras, ódio e revanchismo”

Júlio Garcia, conselheiro do TCE
É citado em delação como intermediário de pedidos de doação via caixa 2
Defesa:
“Não me recordo de nenhuma reunião para tratar deste assunto. Recebi essa informação com uma decepção muito grande, quando eu não tenho nenhuma atividade política”

José Carlos Oneda, diretor na Celesc
É citado em delação como intermediário de pedidos de doação via caixa 2
Defesa:
Não foi localizado ontem pelo ND. Em outras oportunidades disse que aguardaria os desdobramentos antes de se manifestar

Ênio Branco, diretor na Celesc
É citado em delação como intermediário de pedidos de doação via caixa 2
Defesa: Em outras oportunidades disse que aguardaria os desdobramentos antes de se manifestar

Nelson Serpa, ex-secretário da Fazenda
É citado em delação como tendo participado de reunião que discutiu doação via caixa 2
Defesa: Não se pronunciou

Ubiratan Rezende, ex-secretário da Fazenda
É citado em delação no processo de organização de privatização da Casan
Defesa:
Não se pronunciou

Fonte: Jornal Dotícias do Dia/ND online