Postado em 16 de Setembro de 2019 às 08h23

Pela primeira vez, uma major da Polícia Militar de SC comanda batalhão da Força Nacional

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FOTO: JÚNIOR BANDEIRA/FORÇA NACIONAL

Pela primeira vez uma policial militar de Santa Catarina está no comando de um batalhão da Força Nacional de Segurança Pública. Desde o início do mês, a major Naíma Huk Amarante, 40 anos, lidera uma tropa de 80 homens e mulheres em operações na cidade de Cariacica, no Espírito Santo. A policial catarinense é a única comandante mulher no projeto que envolve mais quatro estados: Pará, Goiás, Pernambuco e Paraná.

O apoio à segurança pública capixaba integra o Programa de Enfrentamento à Criminalidade Violenta, para redução dos índices de homicídio. Trata-se de um projeto-piloto do Governo Federal, com duração prevista de quatro meses. Naíma chegou ao Espírito Santo há dois meses.

Antes dela, outra policial militar de Santa Catarina comandou um pelotão da Força Nacional — vários pelotões compõem um batalhão. Em 2010, a então tenente, hoje major, Andreia Cristina Fergitz, atuou na cidade de Cárceres, no Mato Grosso.

A comandante

Natural de Campina da Alegria, distrito que pertencia ao município de Catanduvas, no Meio Oeste de Santa Catarina, e hoje faz parte de Vargem Bonita, Naíma ingressou na PMSC em 2004, por influência da irmã, Nanon Rosangela Huk Amarante, que já era policial militar. A comandante da Força Nacional chegou ao posto de major em 2017. Passou pelos batalhões de Joinville, Jaraguá do Sul e da Capital, onde atuava no 4º Batalhão desde 2013. Tem pós-graduação em Administração Pública, Ciências Penais e Educação Física Militar. Passou por funções administrativas e operacionais.

Para Naíma, estar na Força Nacional significa um novo desafio pessoal e profissional. “Eu acredito que nossa função, oficial da PM, deve ser cumprida com intensidade. Em cada função que exerci, dediquei toda minha obstinação. Traço metas e crio objetivos e quando consigo alcançá-los sinto necessidade de outras missões, porque acredito que seja essa a função de um oficial: gerir e comandar com entusiasmo até o mais próximo possível do exaurimento da missão”, ressalta.

Ela ainda ressalta que estar à frente de um batalhão da Força Nacional é o resultado da trajetória que percorreu. “Aceitei esse desafio porque me sinto preparada para estar aqui pelo caminho que já trilhei e porque a experiência que estou tendo vai me alçar para outro patamar de atuação. Estou aqui aprendendo e ensinando, e essa é a melhor métrica da vida”, define ela.

Mediadora de conflitos


Antes de atuar pela Força Nacional, ela era subcomandante do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças da PM. Foi, ainda, instrutora do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), de mediação de conflitos, tiro policial, educação física militar, polícia comunitária e de chefia e liderança.

A mediação de conflitos está entre as disciplinas preferidas da instrutora Naíma. “Eu aplico aos alunos e também serve para mim mesma. Serve para tratativa com a sociedade na prevenção da criminalidade, serve para gerir uma ocorrência e ajuda na gestão de comandar homens e mulheres. Serve também para questões de grandeza como esta, da luta das mulheres para obterem oportunidades de fazer aquilo que estão capacitadas a fazer e ocuparem as posições que quiserem ocupar. Todos os dias conflitos novos aparecem e todo dia faço meu melhor para que tudo seja mediado e que possamos dar um passo à frente no combate à criminalidade.”

O desejo de salvar vidas

Ser policial não estava nos planos da major. Desde criança ela sonhava em ser médica para ajudar as pessoas. Na busca por estabilidade financeira para criar uma filha, Naíma percebeu que sendo policial também poderia salvar vidas.



“A vida foi acontecendo e a realidade me trouxe imposições e obstáculos. Eu tentei ser médica, mas entendi que também poderia ser feliz sendo policial militar. Nosso objetivo constitucional é fazer polícia ostensiva e preservar a ordem pública, mas também envolve salvar vidas. O prazer de quando participei de ocorrências em que salvamos uma ou algumas vidas que estavam em risco é indescritível”, ressalta. 

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