Postado em 02 de Dezembro às 01h18

PT aprova texto sobre rumos do partido e enaltece Haddad como nova liderança

Resolução é resultado de dois dias de debates do Diretório Nacional sobre o resultado do processo eleitoral. Partido reforçou que fará oposição ao governo Bolsonaro.

A cúpula do PT aprovou neste sábado (1º) uma resolução que trata dos rumos do partido e enaltece a figura de Fernando Haddad como uma nova liderança petista.

Candidato do PT à Presidência, Haddad perdeu no segundo turno para Jair Bolsonaro (PSL) nas eleições de outubro.

O documento é resultado de dois dias de discussões do Diretório Nacional, que se reuniu em um hotel em Brasília. A versão final da resolução ainda será divulgada pelo partido.

Ao ser questionada por jornalistas se o partido faria alguma autocrítica na resolução, a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, disse que o PT faz autocrítica "na prática".

"Não tem autocrítica no texto. O PT faz autocrítica na prática. O PT fez financiamento público de campanha, o PT está reorganizando as bases, o PT está com movimento social. Nós não faremos autocrítica para a mídia e não faremos autocrítica para a direita do país", afirmou.

Em uma prévia do que deve ser o texto final, o PT reconhece, de forma genérica, que cometeu "alguns equívocos" durante os governos petistas, mas dirige as críticas à mídia e parte do Poder Judiciário.

”Fomos republicanos com quem não é e nunca foi republicano”, diz trecho da resolução em referência ao que seria o primeiro "equívoco".

Além da mídia e do Judiciário, o texto cita também serviços de inteligência, Forças Armadas, corporações conservadoras, parte do Ministério Público e grande parte da Polícia Federal.

“Permitimos que esses grupos se reproduzissem e acumulassem força para nos derrubar numa ruptura da Constituição”, diz o documento.

O segundo "equívoco" apontado pela legenda foi não ter investido “na disputa de valores e da cultura como deveríamos fazer, na disputa de hegemonia”. Segundo a sigla, “fazer políticas sociais benéficas” não foi o suficiente para que o partido se mantivesse conectado com os interesses de maiorias.

Direcionado à militância, o documento afirma ainda que terá continuidade a “luta pela liberdade e pela anulação de todas as sentenças injustas” contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que Fernando Haddad, substituto de Lula na chapa presidencial, “se projeta como uma nova liderança nacional do partido”.


O diretório traça três eixos de atuação: defesa da democracia e da liberdade de Lula, defesa dos direitos do povo brasileiro e do patrimônio nacional e defesa do papel soberano do Brasil no mundo.

Na sexta-feira (30), primeiro dia de encontro do Diretório Nacional, foi lida uma carta enviada por Lula em que defende que o partido precisa se "reconectar com as bases". Foi a primeira manifestação pública dele após as eleições de outubro.

Processo eleitoral
Segundo a presidente do PT, o documento reflete a avaliação da legenda sobre o processo eleitoral e o resultado obtido em outubro pela sigla, que conseguiu eleger quatro governadores, 56 deputados federais - a maior bancada na Câmara - e quatro senadores.

Gleisi voltou a defender “uma ampla frente democrática de enfrentamento desse governo que está por vir, para não termos retrocesso". Ela reiterou o discurso de que o partido vem sendo objeto "de ataques sistemáticos por parte do Judiciário”.

Sobre oposição ao governo Bolsonaro, Gleisi afirmou que o PT “vai ser oposição”. “Nós não vamos compactuar com medidas que tirem direitos dos trabalhadores, como a reforma da Previdência, não vamos compactuar com a privatização do Estado brasileiro, não vamos compactuar com a violência contra as minorias. Nós seremos oposição, firme oposição”, disse.

*G1.com

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