Postado em 14 de Dezembro de 2018 às 08h10

Queda de 20% dos homicídios anima polícias a menores índices de violência em Santa Catarina

O feito é considerado surpreendente diante de números recordes e assustadores verificados nos últimos anos

À menos de 20 dias para 2018 acabar, a queda de 20% dos homicídios até novembro pode representar um ano alentador para a segurança pública de Santa Catarina. As polícias Militar e Civil afirmam que a retomada das operações e o policiamento mais presente em áreas críticas geraram a diminuição. O feito é considerado surpreendente diante de números recordes e assustadores verificados nos últimos anos nas principais cidades, como Florianópolis e Joinville.

Ainda há o risco de dezembro, um mês crítico na avaliação dos especialistas, mas o balanço dos 11 meses indica 184 assassinatos a menos: foram 710 homicídios contra 894 do mesmo período no ano anterior, segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP). Não estão computados dados de latrocínio (roubo seguido de morte), que diminuiu 32,6%, e as mortes em confronto policial e de lesão corporal seguida de morte.

Mais operações
Ações em pontos conflagrados do tráfico de drogas, batidas repressivas de sufoco e investigação são apontadas como responsáveis pela baixa nas mortes. Nos bastidores, motivação da polícia e planejamento.

Os recordes negativos desde 2015, com explosão de sangue no auge dos conflitos entre facções criminosas, levava a um quadro de pouca crença de virada do jogo.

Com a mudança de governo em fevereiro, a troca no comando da SSP e das polícias, a tática passou a ser de apostar no posicionamento dos PMs nas ruas, em operações, e investir nos inquéritos contra criminosos integrantes de facções em liberdade ou nos presídios.

– Além da importância das ações com a Polícia Civil, destaco três pontos: choque de ordem em áreas conflagradas, operação sufoco de repressão qualificada ao lado de investigação e a parte social com intervenções (Operação Mãos em áreas críticas de Florianópolis) – pontua o comandante-geral da PM, coronel Araújo Gomes.
A PM realizou 49 operações em 2018 contra 17 no ano anterior.

Polícia na rua, diz promotor
– Como cidadão tenho a sensação que a polícia está mais na rua. Como promotor, observando os processos de homicídios este ano, vejo que houve uma diminuição das disputas entre as facções criminosas – ilustra o promotor da Vara da Júri na Capital, Andrey Cunha Amorim, considerado linha dura no plenário e de forte atuação nos julgamentos.

Em Florianópolis, se levada em conta a soma de todos os tipos de mortes violentas, são mais de 117 este ano, um número que assusta, embora seja inferior às 180 de 2017, quando houve o recorde histórico.
Em 2018 houve crimes de repercussão como a chacina de Canasvieiras, em que cinco pessoas foram assassinadas, e o triplo homicídio de jovens inocentes no Morro da Caixa, no Continente. As vítimas foram confundidas com criminosos rivais de uma facção de São Paulo, rendidas e executadas a tiros.

Um dado negativo e preocupante é o crescimento do número de mortes em intervenções policiais: 90 pessoas morreram em confrontos nos 11 meses de 2018 contra 66 no mesmo período de 2017. O aumento chega a 34%.
Dezembro de alerta

O comandante da PM afirma que dezembro é um mês crítico e de alerta para a polícia. Há tradicionalmente giro alto de dinheiro no mercado, com mais chances de assaltos, e a chegada da temporada.

– As organizações criminosas tentam se posicionar em terrenos, se exacerbam as execuções e conflitos – diz o coronel Araújo Gomes.

Na avaliação do secretário de Segurança Pública, Alceu de Oliveira Pinto Júnior, houve um trabalho forte voltado para a prisão das lideranças do tráfico e do crime organizado. Alceu pensa ser possível reduzir o percentual dos homicídios.

Os comandos policiais também acreditam ser possível baixar ainda mais os indicadores. Hoje, o Estado registra taxa de 10 mortes por grupo de 100 mil habitantes, a menor dos anos anteriores, e considerada o limite de nível considerado aceitável pela Organização das Nações Unidas (ONU).

“Polícia tem parcela, mas não é só isso”
Integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e presidente da Associação Nacional de Praças, o sargento da PM Elisandro Lotin vê um momento de pós-crise econômica como responsável pela diminuição dos homicídios.
– A polícia tem parcela, pois existe uma mudança de postura delas. Mas nos últimos o País vivia uma crise econômica e isso foi se amenizando de lá para cá, o que contribuiu na redução da criminalidade – opina Lotin, antevendo queda também dos homicídios em alguns outros Estados.

Em Joinville, Lotin cita a importância da criação da delegacia de homicídios, que passou a prender homicidas e dar efeito pedagógico ao criminoso. Para 2019, ele sinaliza ano difícil. Os sinais, alerta, são os policiais estarem trabalhando no limite de efetivo e também a defasagem salarial que afeta o aspecto motivacional.
Delegado-geral diz que policiais agora “reclamam” menos

O delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Ghizoni, deixará o cargo no final de dezembro. Entra em seu lugar Paulo Koerich, anunciado pelo governador eleito Carlos Moisés (PSL).

Antes, em entrevista coletiva marcada para dia 18 com o governador Eduardo Pinho Moreira (MDB), Ghizoni promete divulgar balanço que mostra incremento das operações policiais e da quantidade de prisões feitas pela instituição em 2018.

– Fizemos planejamento a curto, médio e longo prazo, com soluções novas para problemas velhos e não ficamos apenas “reclamando” – declara.

Descapitalização de quadrilhas
Ghizoni cita a integração com a PM como um dos pontos que melhoraram, as prisões e indiciamentos de lideranças, a quebra da comunicação de criminosos em presídios e a descapitalização de quadrilhas.
Para o delegado, a polícia ainda precisa melhorar o índice de resolubilidade dos homicídios.
– Diria que a casa está bem arrumada e tenho a certeza que a punibilidade é a ferramenta mais eficiente nesse processo – destaca.

*Diário Catarinense

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